Alcatraz

Nome científico: Morus bassanus

Espécies marinhas

Família sulidae

Fenologia

Continente
Invernante e migrador de passagem
Madeira
Invernante e migrador de passagem
Açores
Invernante e migrador de passagem

Estatuto de conservação

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Continente
LC
Madeira
NE
Açores
NE
UICN Global
LC
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

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Frequência de Ocorrência

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Madeira

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Açores

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Mapas

Distribuição | Não reprodutor

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O alcatraz nidifica no Atlântico Norte, entre março e agosto, principalmente no noroeste europeu e Canadá. Entre setembro e novembro, a população europeia migra para a costa da África Ocidental e do Atlântico europeu, havendo uma porção a entrar no Mediterrâneo (Billerman et al. 2026). Usam a costa continental portuguesa como corredor migratório, ocorrendo ao longo de toda a plataforma continental (Meirinho et al. 2014; Bernard et al. 2026). Para além disso, o continente é também uma área de invernada importante para as aves de algumas colónias (Grecian et al. 2019; Garthe et al. 2024). Um grande número de aves imaturas ficam por estas águas ao longo de todo o ano (Catry et al. 2010a). Nos Açores e na Madeira ocorre em número reduzido, principalmente durante a migração (Meirinho et al. 2014).

A informação obtida a partir de 15 aves marcadas com GPS em 2018 e 2019, provenientes do Reino Unido, confirmam a distribuição conhecida para a espécie na região do continente. Salienta-se uma maior concentração entre Caminha e Ericeira, com alguma utilização de águas mais profundas. Com base nestes dados, não foi registada a ocorrência nas subáreas dos Açores ou da Madeira.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada entre 1,5 e 1,8 milhões de indivíduos maduros com uma tendência crescente e dos quais 1,37 milhões nidifica na Europa (BirdLife International 2025). Em Portugal continental, o alcatraz é das aves marinhas mais abundantes, principalmente entre setembro e março. Entre 2010 e 2015, a população foi estimada entre 79.518 e 101.700, representando até 10% da população mundial (Araújo et al. 2022b). Adicionalmente, durante a migração pós-nupcial em 2015, foram contadas mais de 200.000 aves em passagem para sul, a partir do cabo Carvoeiro (Elmberg et al. 2020). As maiores densidades da espécie são registadas nas zonas centro e norte do continente, tendo-se verificado uma tendência moderada crescente no fluxo migratório durante a pré-reprodução (Fagundes et al. 2024).

Contudo, esta população não atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Não existe informação acerca da abundância ou da evolução populacional para os Açores e para a Madeira, impossibilitando a avaliação do estado ambiental.

Ecologia e habitat

É uma espécie marinha que ocorre em zonas da plataforma e talude continentais, podendo ser observada isolada ou em grandes grupos (Catry et al. 2010a). Alimenta-se de cardumes de peixes pelágicos, como cavalas, carapaus, sardinhas e peixe-agulha, aproveitando-se de rejeições da pesca comercial (Billerman et al. 2026).

Ameaças e conservação

O alcatraz é uma das espécies mais capturada acidentalmente em artes de pesca em Portugal, com especial incidência no palangre demersal (Oliveira et al. 2015; Calado et al. 2021). A implementação de métodos de pesca que minimizem este risco de mortalidade deve constituir uma prioridade para a conservação da espécie (BirdLife International 2025). É também particularmente vulnerável à colisão com aerogeradores em parques eólicos oceânicos (Bradbury et al. 2014), o que levanta preocupações adicionais numa época de rápida expansão deste setor. Os impactos da poluição marinha, em especial por plásticos, ainda não estão totalmente quantificados, mas acredita-se que possam comprometer o sucesso reprodutor. Adicionalmente, surtos de doenças como a gripe das aves têm provocado declínios populacionais localizados e representam uma ameaça emergente (Lane et al. 2024).

Autor

Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Gremillet & Dossa 2011, Hamer & Lane 2019