Freira-de-trindade
Nome científico: Pterodroma arminjoniana
Família procellariidae
Fenologia
- Continente
- Ausente
- Madeira
- Ausente
- Açores
- Acidental
Estatuto de conservação
Saber mais- Continente
- Madeira
- Açores
- UICN Global
Mapas
Distribuição | Não reprodutor
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:<
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:>
Distribuição com base em dados de seguimento individual (localizações/hexágono).
Colónia(s) de origem:
Aparelho:
Período de dados / número de indivíduos:
Período de dados / número de indivíduos:
Distribuição das colónias ou áreas de reprodução (número de casais reprodutores).
Distribuição com base em censos marinhos (probabilidade de ocorrência).
Densidade observada com base em censos marinhos (aves/km2).
Presença confirmada durante os censos marinhos.
Abundância de aves limícolas com base nos censos costeiros do Projeto Arenaria (aves/quadrícula).
Taxas de passagem registadas nos censos costeiros RAM (aves/hora).
Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A freira-de-trindade reproduz-se exclusivamente nas ilhas de Trindade e Martim Vaz, localizadas ao largo de Espírito Santo, no Brasil, e na ilha Ronde, nas Maurícias (Billerman et al. 2026). Encontram-se aves reprodutoras nestas áreas ao longo de todo o ano, sendo uma espécie com dois períodos de reprodução bem definidos, um com o pico da postura em outubro e outro em abril. No entanto, as aves só se reproduzem num dos períodos (BirdLife International 2025). Durante a reprodução alimentam-se nas águas mais costeiras do Brasil (Leal et al. 2017). Os movimentos fora da época de reprodução são muito pouco conhecidos. Dados recentes apontam para que as aves migrem para o Atlântico central e Noroeste, para ali passarem a sua época de invernada (Krüger et al. 2016). De fato, das quatro aves marcadas com GLS na ilha da Trindade, em 2014, uma utilizou a subárea da ZEE nos Açores, nomeadamente as águas da metade ocidental. Esta incursão muito breve ocorreu no final do mês de abril, correspondendo ao período de invernada da ave.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 1.228 casais em 2014 (Krüger 2018). Apesar do estatuto de conservação desfavorável a espécie apresenta uma tendência estável (BirdLife International 2025). É uma espécie muito rara nas nossas águas, tendo sido submetidos apenas dez registos ao Comité Português de Raridades, todos eles referentes a aves isoladas observadas nos Açores (Robb et al. 2025).
Ecologia e habitat
Acredita-se que a freira-de-trindade tem uma ecologia muito semelhante às restantes freiras, explorando habitats semelhantes para se alimentar. É uma espécie marcadamente pelágica que se alimenta principalmente de cefalópodes, mas também de peixes, capturados através de diferentes estratégias (Leal et al. 2017). Contudo diferencia-se das suas congéneres no tipo de habitat que usa para nidificar, podendo usar tanto cavidades em falésias, como zonas de baixa altitude, ao nível do mar (Krüger 2018).
Ameaças e conservação
A freira-de-trindade encontra-se com um estatuto desfavorável devido ao seu reduzido tamanho populacional e pela sua restrita área de nidificação. Encontra-se também sujeita à predação por mamíferos invasores (gatos e ratos) nesses locais (Alves et al. 2011; BirdLife International 2025). A espécie beneficiou da erradicação de cabras e porcos, bem como do controlo de gatos assilvestrados, na sua principal colónia de reprodução (BirdLife International 2025). O potencial aumento da perturbação, perda de habitat e mortalidade devido às recentes intenções de desenvolvimento de infraestruturas na ilha de Trindade, incluindo turbinas eólicas, poderão degradar o estado de conservação desta população. A espécie também consome partículas de plástico, em quantidades significativas, apesar de ainda não se ter percebido qual seu efeito na saúde das aves (Leal et al. 2017).
- Autor
Nuno Oliveira
- Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Robb M, Alfrey P, Alves P, Cardoso H, Crochet PA, Fagerström V, Fernandes P, Nicolau P, Ramalho P & Valkenburg T (2025). Aves de ocorrência rara ou acidental em Portugal. Relatório do Comité Português de Raridades referente ao ano de 2023. Anuário Ornitológico 17: 3-37. Bibliografia:
Leal GR, Furness RW, McGill RAR, Santos RA & Bugoni L (2017). Feeding and foraging ecology of Trindade petrels Pterodroma arminjoniana during the breeding period in the South Atlantic Ocean. Marine Biology 164: 211. Bibliografia:
Krüger L, Paiva VH, Colabuono FI, Petry MV, Montone RC, Ramos JA (2016). Year-round spatial movements and trophic ecology of Trindade Petrels (Pterodroma arminjoniana). Journal of Field Ornithology 87: 404–416. Bibliografia:
Krüger L (2018). Population estimates of Trindade Petrel (Pterodroma arminjoniana) by ensemble nesting habitat modelling. International Journal of Environmental Sciences & Natural Resources 10(4): 145-157. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Alves JA, Dias M, Rocha A, Barreto B, Catry T, Costa H, Fernandes P, Ginja B, Glen K, Jara J, Martins R, Moniz F, Pardal S, Pereira T, Rodrigues J & Rolo M (2011). Monitorização das populações de aves aquáticas dos estuários do Tejo, Sado e Guadiana. Anuário Ornitólogico 8: 118-133. Dados:
Krüger L (2014). Dataset 1282: Trindade Petrel, Pterodroma arminjoniana, Geolocator (GLS), Praia das Tartarugas, Trindade Island, Brazil, 2013–2014. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1282/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Gestão populacional de espécies invasoras sem eliminação total. Glossário:
Remoção completa de uma espécie invasora de uma área específica. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Período geralmente correspondente aos meses de inverno, podendo incluir parte do outono. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Classificação do grau de ameaça de uma espécie consoante as suas probabilidades de extinção. Os critérios para tal classificação seguem geralmente regras internacionalmente reconhecidas, definidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza [IUCN](http://www.redlist.org) e baseiam-se no tamanho dos efetivos populacionais, na área de ocorrência e na tendência populacional. Este estatuto pode ser nacional ou internacional.